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Meu primeiro contato com tecnologias assistivas

Fonte: Movimento Livre

Existem alguns termos que ouvimos por aí que são bem interessantes, vocês já devem ter ouvido falar em um desses: “Caviar, nunca vi nem comi, eu só ouço falar” e tem um outro que é geralmente dito quando alguém lhe pede uma nota de cem reais, aí se costuma responder: “nota de cem! Sei que existe, mas nunca peguei em uma”.

Bom, até um tempo atrás, se alguém me perguntasse o que é um leitor de telas, bengala branca, talks ou qualquer outra tecnologia assistiva, provavelmente a minha resposta seria bem parecida com as que citei acima.

Porém hoje, a minha relação com tais tecnologias é como se fosse, por exemplo: sofá e televisão, salão de beleza e mulher, Wagner Moura e Lázaro Ramos, acarajé e baiano, ou seja, somos praticamente inseparáveis!

Desde o início da minha vida profissional quando eu tinha lá os meus 16 anos de idade, sempre tive contato com pessoas, e hoje com 31 anos vejo que aprendizado melhor não há.

Um período que quero dividir com você foi a minha experiência em um banco privado bastante conhecido aqui no Brasil, pois considero que foi nesse trabalho que pude realmente conhecer vários tipos de pessoas, e vejam só: uma das funções que exerci foi a de operador de caixa no atendimento especial para gestantes, idosos, e pessoas com deficiência. Fui designado para essa função, porque segundo o meu chefe, eu tinha uma melhor empatia com esse público do que os demais colegas.

Como não podemos prever o futuro, hoje deficiente visual analiso: que a minha melhor aceitação vem dá forma com que eu via as pessoas com deficiência, ou seja, não as julgava incapazes de realizar suas tarefas.

Depois que saí desta empresa, e iniciei um tratamento oftalmológico, por sinal sem sucesso, e atualmente prestes a me aposentar, vivo uma vida menos agitada profissionalmente falando, moro com minha esposa, minha irmã e uma tia, que sempre estiveram ao meu lado, pois a família é muito importante nesses momentos, não é?

Pois bem, passado os momentos conturbados de entrada e saída de centros oftalmológicos, é hora de continuar a vida, que por sinal não parou.

No início deste ano e por uma questão de necessidade fui em busca de informações, conhecimentos e novidades. Conheci algumas pessoas fantásticas que sem pedir nada em troca, se propuseram a me auxiliar, dentre elas quero aproveitar a oportunidade e aqui destacar um amigo, o Ricardo Malta, deficiente visual, professor universitário que realiza trabalhos sociais aqui em Minas Gerais, que conheci em março de 2011 e quando precisei, veio até a minha casa e pacientemente me deu as primeiras dicas sobre leitores de telas para computador e celular.

Tenho que confessar, naquele momento as minhas sensações foram as mais variadas possíveis, uma mistura de surpresa, admiração, entusiasmo e uma vontade danada de aprender e colocar logo a mão na massa! Uma miscelânea de sentimentos diante do que me era apresentado, inclusive, me recordo que uma das primeiras perguntas que fiz foi: “cara, como você consegue fazer essas coisas?”, a resposta foi simples: “prática, é só praticar que você consegue”.

Hoje quando alguém me faz essa pergunta, que por sinal é frequente, aproveito para tirar aquela onda de “mestre dos magos”, aí faço uma cara de intelectual estilo Bill Gates e respondo: “É simples! Não tem segredo!”.

Brincadeiras a parte, a cada dia vou aprendendo como melhor utilizar o leitor de tela, e a internet é uma ótima fonte de informação. O talks sabemos que mais simples, impossível.

Quanto a minha relação com a bengala, o artigo “O poder da bengala branca“, considero que descreve tudo aquilo que todos nós sentimos.

Enfim, estou achando o máximo as possibilidades tecnológicas que nos permitem colocar em prática as nossas habilidades, que não são poucas. Mesmo que algumas pessoas, que por sinal são a minoria, ainda não consigam enxergar o próprio limite, mas teimam em rotular e determinar as limitações do próximo.

Portanto, senhoras e senhores exercitem um pouco esses dedinhos, e digitem em algumas palavras, a sua opinião sobre as tecnologias em geral, pois, caso contrário se ao término deste texto você não deixar seu comentário o seu computador vai começar a desobedecer a todos os seus comandos sem a menor explicação, podem acreditar urucubaca de ceguinho pega, e pega mesmo!

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